João Amós Comênio




A educação da juventude se processará facilmente se começar cedo,antes da corrupção das inteligências.

João Amós Comênio

domingo, 31 de julho de 2011

País de leitores

                   Flictriz
                                                                                     POR MARCÍLIO GODOI
“É preciso transformar o Brasil num país de leitores.Ler é mais importante que estudar...   ...Palavra não é só pá, é também a lavra.”                                                            
                                                                                                                   ZIRALDO


O FILHO DE DONA  Zizinha e seu Geraldo é um dos artistas gráficos mais originais e respeitados do mundo.Mas Ziraldo se inscreve na galeria dos personagens da língua portuguesa por meio de um paradoxal enigma.Como pode o inventivo escritor de literatura infantil no Brasil,precursor do quadrinho colorido com personagens e temas brasileiro(O Pererê,1960), ser também um combativo jornalista contra a   ditadura (preso em 1968)? Talvez o desafio de usar o máximo de cor  e o mínimo de palavras no poema Flicts, a super premiada história de uma variação cromática sem lugar no mundo,seja um indício de resposta. O diretor do jornal Pasquim contra a mais feroz repressão definitivamente não poderia  ser o Menino Maluquinho.Mas era.
A graça de sua pena sempre foi mais do pincel do que daquela que bebe o tinteiro, mas de suas imagens resultam significados literários que introduzem as crianças ao melhor aprendizado, o da leitura. Ziraldo é inventor de alfabetos e nunca se preocupou muito com a diferença entre ser o cartazista ou ser dramaturgo. Para ele, o risco é o mesmo em ser o trapezista ou ser o demiurgo.
                                                                                                                       Arquiteto e jornalista, autor do pequeno dicionário ilustrado de Palavras Invenetas.
Fonte: Revista Língua

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Trabalho de produção /revisão de texto

Sabemos que o trabalho com a produção de textos é primordial nos processos de ensino e aprendizagem da língua materna, pois favorece o desenvolvimento da relação significativa entre habilidades de escrita e habilidades de leitura e, consequentemente, impulsiona a formação de um escritor competente. Mas o que vem a ser um escritor competente na atualidade?

O escritor competente sabe escolher o gênero textual mais apropriado aos seus objetivos na produção de um discurso; é capaz de planejar seu discurso em função do destinatário considerando as características do gênero; consegue elaborar resumos, fazer anotações no decorrer de uma exposição oral e expressar seus sentimentos, experiências ou opiniões e é capaz de revisar e reescrever o texto até torná-lo satisfatório a seus objetivos.

Para tanto, na educação básica, o trabalho eficaz com produções de texto exige que o professor proporcione aos alunos o contato com grande diversidade de gêneros desde seu ingresso na escola; determine gêneros de foco em cada série, preferencialmente os gêneros que circulam socialmente entre as pessoas para ler e discutir em sala de aula e, a partir das escolhas feitas, definir modelos específicos de cada um dos gêneros, com referências teóricas específicas, determinando as dimensões que serão abordadas com os alunos.

Segundo BAKHTIN* "é de acordo com nosso domínio dos gêneros que usamos com desembaraço, que descobrimos mais depressa e melhor nossa individualidade neles (quando isso é possível e útil), que refletimos, com maior agilidade, a situação irreproduzível da comunicação verbal, que realizamos, com o máximo de perfeição, o intuito discursivo que livremente recebemos". Daí destacamos a importância do trabalho com gêneros desde as primeiras séries do ensino fundamental, considerando que o objetivo máximo do ensino de Língua Portuguesa é o desenvolvimento da expressão oral e escrita. Nessa perspectiva desenvolvemos uma proposta pedagógica, com o objetivo de conduzir os alunos à percepção da estrutura da escrita e relação de sentidos das palavras no contexto, para que possam ampliar os recursos de elaboração de seu próprio discurso, produzindo e revisando os textos produzidos.

A produção de texto pressupõe a reorganização de uma experiência anterior (uma discussão em grupo, uma leitura, uma situação vivida, uma história conhecida, etc.).

Para ser significativa e atender ao objetivo proposto, a produção de texto deve ser planejada com o aluno para que ele tenha conhecimento das expectativas sobre seu texto e os parâmetros de revisão e avaliação que serão adotados. O aluno precisa ter claro para quem ele escreverá, o que, como e o que se espera desse texto.

Escrever não depende de dom, mas de empenho, dedicação, compromisso, seriedade, desejo e crença na possibilidade de ter algo a dizer que vale a pena. Escrever é um procedimento e depende de exercitação: o talento da escrita nasce da frequência com que ela é experimentada.

No processo de produção de textos, o professor deve orientar seus alunos no entendimento de que todo o texto é provisório, seja na intenção de quem escreve, seja na compreensão de quem o lê.

Para o desenvolvimento dessa postura mais crítica e estruturada, o professor deve adotar estratégias que ajudem os alunos nessa construção, tratando toda a produção como rascunho, todo texto como provisório. Essa provisoriedade permite que se faça revisões e alterações sem afetar a autoestima dos escritores iniciantes.

Revisar exige distanciamento do texto, exige orientação e objetivos claros para que não haja desmotivação, portanto, para a atividade de revisão ser produtiva é preciso definir o objetivo que se pretende alterar num texto: elementos de coesão (roteiros), pontuação, adequação ortográfica, clareza de ideias, emprego de linguagem adequada ao destinatário etc., escolhendo um dos aspectos de cada vez e orientando claramente os alunos no tratamento desse aspecto. Tratar de todos os aspectos a serem revisados ao mesmo tempo, não só confunde como cansa os alunos.

Ao ler os textos produzidos, o professor deve ter como foco primeiro detectar os pontos onde o que está dito não é o que se pretendia, identificando os problemas do texto e ajudando os alunos a aplicar os conhecimentos sobre a língua para resolvê-los. É preciso investir em situações coletivas de revisão de texto escrito, bem como atividades em parceria, sempre sob orientação do professor. As situações de produção deverão propor situações reais de comunicação, tanto para a produção quanto para a recepção de textos.

Em nossa experiência, destacamos como atividades significativas de produção de texto para o ensino fundamental I:

- Murais e painéis de textos;
- Cartazes;
- Produção de livros: poemas, contos preferidos da turma, canções, brincadeiras, receitas, etc.
- Histórias em quadrinhos;
- Jornal mural;
- Campanhas de conscientização, etc.

Se o objetivo do trabalho com a produção de textos é tornar o aluno um proficiente escritor, possibilitando-lhe produzir diferentes gêneros textuais, é necessário esclarecer o aluno de que:

- quando escreve, ele é o autor do texto;
- esse texto possui um objetivo;
- esse texto possui um destinatário.

A produção deve supor revisão, ligada, inicialmente ao conteúdo (respeito às expectativas planejadas, coerência), e, a seguir, à forma (no 1o e 2o ano, mais voltada à aquisição do registro alfabético; nas demais séries, não só o registro ortográfico, mas as escolhas vocabulares, a pontuação, etc.).

As revisões devem ser feitas uma vez por bimestre ou trimestre, para não sobrecarregar o aluno com demasiadas orientações, favorecendo também o trabalho com situações mais informais de escrita.

O processo de produção e revisão ainda proporciona uma excelente oportunidade de trabalho com a normatização ortográfica, pois estará contextualizado em situações em que os alunos tenham razões para escrever corretamente, em que a legibilidade seja fundamental porque existem leitores de fato para a escrita que produzem. Deve estar voltado para o desenvolvimento de uma atitude crítica em relação à própria escrita, ou seja, de preocupação com a adequação e correção dos textos. E ainda que tenha um forte apelo à memória, a aprendizagem da ortografia não é um processo passivo: trata-se de uma construção individual, para a qual a intervenção pedagógica tem muito a contribuir.

A seguir, destaco as etapas de produção e revisão que temos adotado na organização do trabalho:

1º momento: Planejamento da produção (roteiro, definição de objetivo, destinatário e suporte)
- Antes do momento de produção é essencial que os alunos tenham lido e ouvido muitos textos do(s) gênero(s) escolhido. Do repertório depende o sucesso que os alunos terão no domínio do gênero.
- As produções, com objetivo de produto final, podem ser feita em duplas.
- Combinar o formato e a organização do produto final: repetiremos textos (história, fatos, personagens)? Cada dupla fará um texto diferente? Faremos uma ilustração?
- Estabelecer um roteiro que sirva de orientador para a produção dos textos, a partir de um texto do gênero que tenha sido estudado.

2º momento: Produção escrita
- Escrita do texto a partir do roteiro pré-estabelecido
- Retomar o roteiro, o objetivo final e os combinados do trabalho

3º momento: Leitura da primeira produção retomando o planejamento/ anotações de revisão
- O professor lê os textos, faz anotações e devolve aos alunos indicando o que deve ser alterado (coerência e coesão)

4º momento: Reescrita do texto a partir a das anotações de revisão
- A partir das alterações sugeridas e feitas na revisão, o texto será reescrito de acordo com a necessidade.

5º momento: Leitura da segunda produção, a partir de objetivo definido (coesão, coerência, ortografia)
- O professor realiza uma segunda leitura, verificando se as questões de coesão e coerência foram solucionadas e indica as correções ortográficas necessárias.
- Como há produto final, a escrita do texto precisa ser a mais próxima possível do convencional.

6º momento: Finalização da produção (passar o texto a limpo, elaborar cartaz, montagem do livro)
- Passar o texto a limpo no suporte definido (folha padronizada, papel para exposição no mural, etc.).
- Promover momento de exposição do trabalho. No caso de livro ou álbum, os alunos poderão levar para casa acrescentando, no final, uma página para comentários dos leitores.


*Mikhail Mikhailovich Bakhtin (1895 - 1975) linguista russo. Seu trabalho é considerado influente na área de teoria literária, crítica literária, sociolingüística, análise do discurso e semiótica. Bakhtin foi um filósofo da linguagem e sua lingüística é considerada uma "trans-linguística" porque ultrapassa a visão de língua como sistema. Para Bakhtin, não se pode entender a língua isoladamente, sem considerar o contexto de fala, a relação do falante com o ouvinte, o momento histórico, etc.
Texto produzido pela Assessoria Pedagógica da FTD

Atividade dia dos Pais

Fonte:Idéia Criativa

A importância da mediação na aprendizagem

 

28/6/2011
Área: Notícias Editora
Mediar é uma forma do professor conduzir o aluno no ato de pensar em que se suscita discussões em torno de uma resposta obtida e, em seguida, questiona-se sua veracidade, indica-se caminhos que podem levar à resolução e orienta-se a reformulação de hipóteses para obtenção de teses e conclusões.

Paralelamente, a tarefa de ensinar implica numa relação plena e constante do professor com o aluno, não só no conhecimento, mas também na capacidade de questionar a criança que, nas situações de aprendizagem, vai desenvolver cada vez mais a habilidade de fazer perguntas. Faz-se necessário, portanto, valorizar a curiosidade, o espírito de busca, a imaginação, a autonomia. Para que isto aconteça, não se pode desenvolver o ato de ensinar só a partir das informações dadas pelo professor, mas na busca, na investigação, na procura de soluções das situações apresentadas.

É, então, nesse contexto que o professor se torna o mediador entre o aluno e o conhecimento (objeto a ser aprendido). A mediação é uma tarefa bem complexa que vai exigir do professor a criatividade, o estar alerta, a preocupação com cada aluno e a percepção da caminhada da turma.

Pode-se ver, entretanto, que todos os papéis (organizador, consultor, mediador, controlador e incentivador) contribuem com o maior objetivo a ser atingido com a prática didática: educar. Educar é transformar e, antes de ir em busca dessa transformação em seus alunos, é necessário que o educador/professor transforme a sua forma de agir e de pensar. Neste período de busca pela própria transformação e dos educandos, nada melhor que um bom planejamento. É importante que, antes de iniciar a abordagem de qualquer tema ou assunto, o professor defina o que é essencial e pesquise fontes variadas, além de utilizar diferentes métodos de trabalho e procurar conhecer muito bem os seus educandos. Nesta prática escolar é sempre bom conversar com outros educadores e buscar informações em sociedades, associações ou órgãos.

Mas como a mediação pode ser feita? Situações e práticas educativas capazes de estimular o ato de refletir incluem:
* Roda de conversas – ver o que o aluno já sabe sobre o assunto a ser dinamizado
Cantigas – motivadoras sobre o assunto
Histórias – estimuladoras do ato de pensar sobre o assunto
Músicas populares - capazes de promover a sintonia entre o conhecimento e a vida
Leitura de fatos de jornais e revistas – estimuladoras do ato de reflexão
Cartazes estimulantes do assunto
Propagandas – coerentes com a situação de aprendizagem
Jogos - estimulantes do raciocínio
Reportagens da TV – desenvolvimento da percepção visual, raciocínio
Poemas

Ao trabalhar quaisquer das situações acima, o papel do professor é fazer perguntas e, com isso, levantar questões para discussão que podem orientar o exercício da análise e da organização do pensamento, sempre introduzindo ou refletindo sobre o assunto, desencadeando atividades agradáveis em aula de aula, tornando os materiais atraentes e fonte de aprendizagem.

O tipo de exercício proposto deve permitir uma reflexão sobre a temática que está sendo desenvolvida e, ao mesmo tempo, provocar a oralidade, a compreensão, o pensamento reflexivo, a organização do pensamento, a interpretação, a análise, a síntese.... Deste modo, a realidade tanto do professor quanto a do aluno podem ser muito exploradas, pois elas são ricas de significados, de vida.

E para desencadear todo este processo, como fazer perguntas? Questões do tipo “Adivinhem de quem/que estou falando?” ou “Adivinhem o que foi que eu vi, comprei, segurei, destaquei” são a melhor ideia nessas horas.

Selma Mendes Gonzaga - Assessora Pedagógica da FTD

Calendário Folclórico

Fonte: Idéia Criativa

CALENDÁRIO FLOCLÓRICO

Fonte Idéia Criativa

terça-feira, 26 de julho de 2011

Plano de aula: brincadeiras da tradição cultural

24/5/2011
Área: Notícias Editora


Fonte -  Editora  FTD

Texto por Renata Alessandra Bueno
Coordenadora de Assessoria Pedagógica do FTD Sistema de Ensino


(Trabalho realizado com turmas educação infantil com o objetivo de as crianças vivenciarem e conhecerem brincadeiras que atualmente não fazem parte do cotidiano infantil.)

A brincadeira deve ter espaço privilegiado na rotina da Educação Infantil, não são como atividade natural e espontânea, originada na própria essência da criança, mas, principalmente, como aprendizagem social.

A incorporação da brincadeira na prática educativa como um dos eixos da organização do trabalho pedagógico, apresenta-se como atividade fundamental, por meio da qual as crianças reconstroem suas vivências sócio culturais e refletem criticamente sobre a realidade, ampliando seus conhecimentos sobre si e sobre o mundo ao seu redor.

O domí­nio do meio fí­sico e social implica que a criança a desenvolva a capacidade de observar, de distinguir os seres vivos dos seres não-vivos, de fazer perguntas e descobrir relações temporais, espaciais e sociais. A ação pedagógica, nesse caso, visa aproxima¡-la de uma atitude científica, tornando-a capaz de perceber como se dá  a relação do homem com a natureza, do homem com o próprio homem e o processo de transformação do mundo.

Nesse sentido, o trabalho a seguirserá voltado para a ampliação das experiêcias da criança e para o conhecimento da pluralidade de fenômenos e acontecimentos - mais particularmente os históricos e culturais. Para isso, exploram-se situações que mostrem a diversidade de formas de explicar e representar o mundo, entrando em contato com a brincadeira em uma época e num contexto tão distantes e diferentes dos atuais, mas também com muito em comum, pois foi possí­vel não só estabelecer semelhanças e diferenças, mas também em perceber as permanencias e as mudanças.

Brincando as crianças representam diferentes papéis, ocupam posições diferenciadas nas relações de poder (ora mãe/pai, ora filho/filha, ora professor, ora aluno), transformam os significados dos objetos, atribuindo-lhes novos nomes e funções, aprendem a lidar com os objetos e as situações no plano mental, introduzindo-se no plano das idéias  e represencões.

Além disso, a brincadeira também é  meio de preservação das tradições culturais de uma sociedade.

Com esse enfoque, desenvolvemos uma estratégia para propiciar a vivência de brincadeiras que dependem principalmente de tradição oral para serem aprendidas. O ponto de partida foi a leitura do quadro eJogos Infantis de Pieter Brueghel , em que são representadas cerca de 84 brincadeiras, algumas conhecidas e outras desconhecidas desta geração. A tela de Brueghel foi projetada na parede, despertando a curiosidade das crianças. Lançado o desafio para encontrar e nomear 25 brincadeiras representadas na tela, as crianças realizaram a leitura da obra, observando, narrando as situações representadas, descrevendo as ações e interpretando as imagens e os objetos. Com isso, foi possível não só apreciar uma obra de arte, mas também estabelecer relações entre as situações representadas e as experiências pessoais vividas. Assim, a turma destacou as brincadeiras que conhecia, como cinco-marias, pula-sela, pega-pega. Outras foram identificadas, mas não nomeadas, por desconhecimento.

A partir desse momento em classe, as crianças levaram cópias da tela, impressas em papel, para casa no final de semana, com o intuito de conseguir o nome de outras brincadeiras representadas na tela, pedindo a colaboração dos pais, tios e avós.

Ao retornarem na semana seguinte, trouxeram contribuições sobre brincadeiras que foram reconhecidas por pessoas mais velhas, como a maria-cadeira (ou cadeirinha), cabo-de-guerra (ou vilão do cabo), cabra-cega e boca-de-forno (ou mamãe-polenta).

Surgiu então outro problema: como brincar dessas brincadeiras se não as conhecemos? A soluçãoo partiu das pró³prias crianças: convidar os familiares que reconheceram as brincadeiras para ensina-las na escola.

Assim, partimos para outro momento importante, de resgate da cultura e também interação social, recebendo os familiares, tios, avós, avôs, tias, mães e pais que ensinaram brincadeiras de sua época, mas que podem ser divertidas também nos dias de hoje.

Outras brincadeiras não identificadas por familiares foram foco de pesquisa em situações de leitura e também por meio do computador. A proposta se constituiu em momento rico de formação global, pois ao organizar suas brincadeiras, as crianças fizeram escolhas, negociaram suas ações, planejaram as situações, estabeleceram regras e submeteram-se a elas ou as negociaram e as reconstruíram.


Plano de aula

Objetivo: que as crianças vivenciem brincadeiras tradicionais que atualmente não fazem parte do cotidiano infantil, com a finalidade de ampliar seus conhecimentos relacionados as brincadeiras de outras épocas.

Procedimentos:
1º momento: Leitura de imagem (obra Jogos Infantis de Brueghel)
2º momento: Relacionar as brincadeiras identificadas pela turma
3º momento: Realizar as brincadeiras identificadas na tela
4º momento: Enviar para casa cópia da tela para receber contribuições dos familiares
5º momento: coleta e tabulações das informações trazidas de casa, ampliando a lista de brincadeiras identificadas
6º momento: Pesquisar sobre brincadeiras desconhecidas
7º momento: Convidar familiares que possam ensinar brincadeiras desconhecidas, representadas e identificadas na tela de Brueghel.


* Imagem: Pieter Brueghel – Jogos Infantis, 1560.
Óleo sobre painel de madeira, 118 x 160,9 cm. Museu de História da Arte, Viena

Pieter Brueghel nasceu em meados de 1527, na região de Antuérpia. Destacou-se por pintar paisagens e retratar o cotidiano das pessoas simples do campo, o trabalho na colheita, as festas... sempre cheios de detalhes e instigando uma reflexão.
Na tela não há menos que 84 brincadeiras. Algumas delas não existem mais, foram apagadas da memória. Outras existem até hoje, com inúmeras variações.

Editora FTD

Editora FTD

segunda-feira, 25 de julho de 2011

"PAPAI"

                                          MarcoAntonio Struve

Existe um homem que se esmera no comprimento do dever para dar bom exemplo: Que fica humilde, quando poderia se exaltar; Que chora à distancia, a fim de não ser observado; Que, com o coração dilacerado, se embrutece para se impor como um juiz inflexível; Que, na ausência, usam-no como temor para evitar uma ação menos correta; Que quase sempre, é chamado de desatualizado; Que apenas fisicamente, passa o dia distante, na labuta, por um futuro melhor; Que, ao fim da jornada, avidamente regressa ao lar para levar muito carinho e, as vezes, pouco receber, Que esta sempre pronto a ofertar uma palavra orientadora ou relatar uma atitude benfazeja que possa ser imitada; Que, muitas vezes passa noites mal dormidas a decifrar os segredos da vida, quando extenuado, ainda consegue energias para distribuir energias; Que é tão humano e sensível, por isso, normalmente, sente a ausência do afeto que lhe é dado raramente e de forma pouco comunicativa. Que, vibra, se emociona e se orgulha pelos feitos daqueles que tanto ama. Esse homem geralmente, se agiganta e passa a Ser o valor inexorável quando deixa de existir para sempre. Nunca perca, pois, a oportunidade de devotar muito carinho e amizade àquele que é seu melhor amigo: SEU PAI.

SIMPLESMENTE PAI

Ser pai é acima de tudo,
não esperar recompensas.
Mas ficar feliz caso e quando cheguem.

É saber fazer o necessário por cima e por dentro da incompreensão.
É aprender a tolerância com os demais e exercitar a dura intolerância (mas compreensão) com os próprios erros.

Ser pai é aprender errando, a hora de falar e de calar.
É contentar-se em ser reserva, coadjuvante, deixado para depois.

Mas jamais falar no momento preciso.

É ter a coragem de ir adiante,
tanto para a vida quanto para a morte.
É viver as fraquezas que depois corrigirá no filho,
fazendo-se forte em nome dele e de tudo o que terá de viver para compreender e enfrentar.

Ser pai é aprender a ser contestado mesmo quando no auge da lucidez.
É esperar.
É saber que experiência só adianta para quem a tem, e só se tem vivendo.

Portanto, é agüentar a dor de ver os filhos passarem pelos sofrimentos necessários, buscando protegê-los sem que percebam, para que consigam descobrir os próprios caminhos.

Ser pai é saber e calar.
Fazer e guardar.
Dizer e não insistir.
Falar e dizer.
Dosar e controlar-se.

Dirigir sem demonstrar.
É ver dor, sofrimento, vício, queda e tocaia, jamais transferindo aos filhos o que, a alma, lhe corrói.

Ser pai é ser bom sem ser fraco.
É jamais transferir aos filhos a quota de sua imperfeição, o seu lado fraco, desvalido e órfão.

Ser pai é aprender a ser ultrapassado, mesmo lutando para se renovar.
É compreender sem demonstrar, e esperar o tempo de colher, ainda que não seja em vida.

Ser pai é aprender a sufocar a necessidade de afago e compreensão.
Mas ir às lágrimas quando chegam.

Ser pai é saber ir-se apagando à medida em que mais nítido se faz na personalidade do filho, sempre como influência, jamais como imposição.
É saber ser herói na infância, exemplo na juventude e amizade na idade adulta do filho.
É saber brincar e zangar-se.

É formar sem modelar, ajudar sem cobrar, ensinar sem o demonstrar, sofrer sem contagiar, amar sem receber.

Ser pai é saber receber raiva, incompreensão, antagonismo, atraso mental, inveja, projeção de sentimentos negativos, ódios passageiros, revolta, desilusão e a tudo responder com capacidade de prosseguir sem ofender; de insistir sem mediação, certeza, porto, balanço, arrimo, ponte, mão que abre a gaiola, amor que não prende, fundamento, enigma, pacificação.

Ser pai é atingir o máximo de angústia no máximo de silêncio.

O máximo de convivência no máximo de solidão.

É, enfim, colher a vitória exatamente quando percebe que o filho a quem ajudou a crescer já, dele, não necessita para viver.

É quem se anula na obra que realizou e sorri, sereno, por tudo haver feito para deixar de ser importante.

Atividade dia dos pais

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Qualidade em educação

                                                              Rubem Alves
O corpo humano é dotado de sensíveis mecanismos de controle de qualidade. Não só o corpo  humano.Até  a dos bichos. O cachorro cheira com o nariz antes de pegar com a boca: ele não é bobo. Procedimento igual ao da dona de casa que cheira o peixe antes de comprá-lo. Ao da cozinheira que prova a moqueca antes de servi-la.Ao do violeiro que afina a viola antes de tocar.Tudo isso é teste de qualidade.
A educação na medida em que lida com a vida de pessoas e a vida do país,deve ser a área  mais rigorosamente testada.É preciso que ela seja excelente.Entretanto,é a área em que os testes são mais difíceis
Avaliações, vestibulares e provões quase nada significam: nada garante que a qualidade medida por critérios acadêmicos numéricos consiga  passar nos testes que vida impõe.”Na Escola,10 na vida 0” título (ou quase) de um livro que mostra  que  a excelência escolar não pode ser tomada como índice para avaliar o desempenho na vida.
Um professor da faculdade de medicina da Unicamp, por ocasião do vestibular,me dizia:   ”Pena . Muitos  dos que vão passar com as maiores notas não conseguirão ser médicos.Uma inteligência que foi treinada para descobrir uma resposta entre cinco dificilmente consegue lidar com os problemas da clinica médica.A vida não é vestibular. Há certos saberes  que aleijam a inteligência”.
Na ordem das prioridades governamentais eu coloco a educação em primeiro lugar. Para o país, ela cria as condições para um aumento do bem – estar social.Para o individuo,ela aumenta as possibilidades de vida de  prazer e alegria.
Pus-me então a imaginar um mecanismo que permitisse a avaliar as qualidades da educação. Veio-me, então, uma idéia inspirada no “provão”.Um”examão” gigantesco a ser realizado no período de um mês.
Nele entrariam todos os conteúdos curriculares pelos quais os aluno passou: raiz quadrada,equação do 2º grau,juros compostos,problemas genéticos de cruzamento de coelhos brancos com coelhos petos, taxionomia botânica e zoológica, meiose e mitose,conversão de Celsius as guerras do Peleponeso, as guerras púnicas a civilização etrusca ,o gótico  e o romântico, analise sintática, escolas literárias,reações químicas  - tudo incluído  no “ examão”.
Aos alunos horrorizados eu digo: ”tranqüilizem-se. As provas não serão assinadas. Não são vocês,alunos, que estão sendo avaliados.È o sistema educacional.Maquina gigantesca,milhares de professores milhões de alunos,milhares de prédios, toneladas de material escolar ,milhares de hora/aula, milhares de informações ,milhares de avaliações,um tempo de vida que não pode ser computado,além do sofrimento de filhos e pais e quantia de dinheiro incalculável.”
O objetivo declarado dessa maquina é passar para  os alunos o conhecimento definido pelos currículos. A relação matemática entre 1) a soma de conhecimentos supostamente dados 2) o conhecimento que ficou incorporado no aluno define a qualidade da maquina.
O objetivo do examão é verificar essa relação.
Meu palpite é que na melhor das hipóteses; os alunos não terão incorporado mais  que 5% dos conhecimentos supostamente dados. Uma máquina com 5% de rendimento será reprovada.
 Os mecanismos da educação tratarão de consertar a máquina, convencidos de que ela necessita de ajustamentos e peças novas. Eu, ao contrario, acho,  que não há nada de errado para consertar.
Acontece que os alunos - mais precisamente os corpos dos alunos - tem também seus mecanismos de “ controle de qualidade”. Se  eles não aprendem é porque os seus corpos”reprovam” a máquina.Vomitam o que a máquina lhes enfia pela goela abaixo.O resultado do examão seria a prova disto.
Nietzsche, no seu ensaio sobre Tales, refere-se ás coisas”dignas de serem conhecidas” A inteligência funciona como  o aparelho digestivo: ela testa os sabores,e somente aqueles que são dignos de serem aprendidos são digeridos e incorporados.Os outros  vomitados. A recusa a aprendizagem é o vômito  daquilo que o sistema educacional quer impor ,mas que não faz  sentido para os alunos.
Os mecânicos da educação tendem pensar que o problema da educação é um problema de meios,meios sendo um conceito amplo que vai desde a didática e psicologia até computadores ,laboratórios,televisões e parafernálias educacionais semelhantes.
A  forma mais comum dessa filosofia mecânica aparece com a queixa da “falta de fundos “ .Digo que, quando a  maquina como um todo está errada, as tentativas de consertá-la ó levam a um agravamento do problema.Panelas importadas são inúteis para um mau cozinheiro.
O corpo humano é sábio.Tem idéias próprias.E ele seguindo seus critérios de “controle de qualidade” só aprende dois tipos de conteúdos.Primeiro aquele  que dá prazer:o fruto desejável.Segundo,o meio para chegar ao objeto de prazer: a vara para apanhar o fruto.
Na sua esmagadora maioria, os conteúdos curriculares processados pela máquina monstruosa nem são objeto de prazer nem são percebidos pelos alunos  como meios para chegar a coisa alguma, a não ser passar no vestibular.O fato é que os alunos não sabem a razão de ter de aprender o que estão sendo forçados a aprender.
A máquina funciona como deve. O problema é que a comida que ela serve é imprópria para a inteligência. A questão não é mudar as panelas. A questão é mudar o menu.
                                                                                   Rubem Alves, 63 educador,escritor psicanalista,doutor em filosofia pela universidade dePrinceton(EUA)e professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Pensando em voz alta sobre como desenvolver conteúdos explorando as inteligências múltiplas.

                                                                                                                                       Celso Antunes
O Luizinho da segunda fila
       Marcelo é um excelente professor de geografia.
Na aula sobre Pantanal até excedeu-se. Falou com entusiasmo, relatou com detalhes, descreveu com precisão.Preencheu a lousa com critério,soube fazer com que os alunos descobrissem na interpretação do texto do livro a magia dessa região quase selvagem.Exibiu um vídeo, congelou cenas e enriqueceu-as com detalhes, com fatos experimentados, acontecimentos do dia-a-dia de cada um.
Em sua prova, é evidente, não deu outra: uma redação sobre o tema e questões operatórias que envolviam o Pantanal. Seus rios, suas aves,sua vegetação...a planície imensa. Os alunos acharam fácil. Apanharam suas folhas e começaram a trazer, palavra por palavra,suas imagens para o papel. As  canetas corriam soltas e as linhas transformavam-se em parágrafos.Marcelo sabia o quanto teria que corrigir,mas vibrava...Sentia que os alunos aprendiam.Descobria o interesse que sua ciência despertava.Não pôde conter uma emoção diferente quando Heleninha,sua aluna predileta, foi até sua mesa e arfante solicitou:
_Posso pegar mais uma folha em branco?
O único ponto de discórdia, o único sentimento opaco que aborrecia Marcelo,era o Luizinho,aquele da segunda fila. - Puxa vida ! -pensava –Luizinho assistira todas as suas aulas,arregalava os olhos com as suas explicações agora na prova,silêncio absoluto,imobilidade total... nem sequer uma linha.Sentiu   ímpetos de esganar Luizinho.Mas,tudo bem, não queria se irritar.Luizinho pagaria seu preço,iria certamente para recuperação.Se duvidassem poderia, até mesmo levar a retenção.Seria até possível arrancar um ano inteirinho de sua vida...
Minutos depois,o avisou que o tempo estava terminado.Que entregassem sua folha.Viu então que rapidamente,Luizinho desenhou, na primeira página das folhas da prova, o Pantanal.Rico,minucioso,preciso.Marcelo emocionou-se,ao ver aquele quadro ,de irretocável perfeição,nas mãos de Luizinho que coloria as últimas sobras.Entusiasmado indagou:
- E aí Luís? Você já esteve no Pantanal?
Não.Luizinho jamais saíra da cidade.construiu sua imagem a partir das aulas ouvidas.Marcelo sentiu-se um gigante e, de repente, descobriu-se o próprio Piaget. Havia com suas palavras construído uma imagem completa,correta e absoluta na mente do seu aluno.
Mas,deu zero pela redação.É claro. Naquela escola não era permitido que  se rabiscassem as folhas de prova. A história de Luizinho repete-se em muitas escolas.Sua inteligência pictórica é imensa.Colossal,lúcida,clara e contrasta visivelmente com as limitações de sua competência verbal.Expressou o que sabia, da maneira como conseguia.
Mas,não são todos os professores que se encontram treinados para ouvir linguagens diferente das que  a escola instituiu como única e universal.
                                                  Do livro Marinheiros e professores,6ªed.,Petrópolis,Vozes,2000,p.72-73,do autor
       Luizinho possui notável expressão pictórica e através da mesma pode contar de seus saberes e propor processos que destacavam os caminhos de sua aprendizagem,mas falta a esse e a milhares de outros”Luizinhos” professores que possam discernir,estimular,sugerir e encantar seus alunos mostrando-lhes linguagens diferentes.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Para ensinar a ler*


                                 Rosana Soligo
                                                 
Durante séculos, alguns poucos escravos aprenderam a ler, em condições extremamente  adversas, ás vezes arriscando a própria vida para um aprendizado que, devido ás dificuldades,acabava levando vários anos.
Hoje, ás vésperas do século 21, o Brasil é um país em que cerca de 44  por cento das crianças de primeira série ainda são retidas no final do ano porque não conseguem  aprender a ler. E em que o tempo médio dos que conseguem finalizar o ensino fundamental é de 11,2 anos, quando deveria ser de apenas oito. Inúmeros especialistas em dificuldades de aprendizagem afirmam que pouquíssimos adolescentes e crianças possuem comprometimento cognitivo real, ou seja, não são capazes de aprender os conteúdos escolares como os outros. Então se a esmagadora maioria das crianças podem aprender, é preciso considerar que há um sério comprometimento nas práticas de ensino; ou seja a escola não está conseguindo cumprir seu mais antigo papel: ensinar a ler e escrever. É preciso socializar cada vez mais os conhecimentos disponíveis a respeito dos processos de aprendizagem: quanto melhor o professor entender o processo de construção do conhecimento, mais eficiente será seu trabalho. Afinal, ensinar de fato é fazer aprender.

Os saltos do olhar
A compreensão da leitura depende da relação entre os olhos e o cérebro, processo que há longo tempo os estudiosos procuram entender. Nas últimas três décadas houve um avanço significativo  nesse campo,mas ainda não conseguiu desvendar inteiramente a complexidade do ato de ler.
Há mais de cem anos se descobriu que, ao ler, nossos olhos não  deslizam linearmente sobre o texto impresso:eles dão salto,em uma velocidade cerca de 200 graus por segundo, três ou quatro vez por segundo. E certo que, durante esses saltos, acontece um tipo de adivinhação, pois os olhos  não estão de fato vendo tudo. O tempo de fixação dos olhos a cada vez é de cerca de 50 milésimo de  segundo e a distância entre as fixações depende da dificuldade oferecida pelo material lido.
Os que os olhos vêem depende muito do conhecimento do assunto. Quando lemos um texto  cuja  linguagem é fácil,ou cujo conteúdo é conhecido, podemos ler em silêncio até 200  palavras por minuto--- a leitura em voz alta demora mais, pois o movimento dos olhos é mais rápido que a missão das palavras.
*In Cadernos da TV E Scola-Português, MEC/SEED, 2000

domingo, 3 de julho de 2011

Professor velho de guerra.....

O que um professor é capaz de fazer...
 
O fato narrado abaixo é real e aconteceu em um curso de Engenharia da PUC-MG, tornando-se logo uma das 'lendas' da faculdade.
 
Na véspera de uma prova, 4 alunos resolveram chutar o balde: iriam viajar juntos.
Faltaram a prova e então resolveram dar um 'jeitinho'.
Voltaram a PUC na terça, sendo que a prova havia ocorrido na segunda.
Então, dirigiram-se ao professor:
- Professor, fomos viajar, o pneu furou, não conseguimos consertá-lo, tivemos mil problemas, e por conta disso tudo nos atrasamos, mas gostaríamos de fazer a prova'.
O professor, sempre compreensivo:
- Claro, vocês podem fazer a prova amanhã a noite.
E assim foi feito. Os rapazes correram para casa e racharam de tanto estudar, na medida do possível.
Na hora da prova, o professor colocou cada aluno em uma sala diferente, sem qualquer meio de comunicação com o mundo externo e entregou a prova:
 
Primeira pergunta, valendo 0,5 ponto: Escreva algo sobre 'Equação de Navier-Stokes'.
Os quatro ficaram contentes pois haviam visto algo sobre o assunto.
Pensaram que a prova seria muito fácil e que haviam conseguido se dar bem.
 
Segunda e última pergunta, valendo 9,5 pontos :
'Qual pneu furou?'
 
 
Paulo